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Avaliação

Fiat Toro 2017 vale a pena como usada?

Editor GU Por Editor GU Atualizado em 26 de abril de 2026 10 min de leitura
Capa do artigo: Fiat Toro 2017 vale a pena como usada?

Fiat Toro 2017 — ilustração Guia do Usado

A Fiat Toro pegou o Brasil de surpresa em 2016 ao inaugurar uma categoria nova: a picape média de carroceria fechada com pegada de SUV. Em 2017, o modelo já estava bem amadurecido, com várias motorizações disponíveis e um preço que o tornou líder absoluto de vendas no segmento de picapes médias por anos seguidos. Hoje, no mercado de usados, a Toro 2017 é uma das opções mais procuradas por brasileiros que precisam de espaço, conforto de SUV e algum aproveitamento utilitário.

Mas Toro é um carro complexo, com várias versões e motorizações diferentes que respondem a perfis de uso muito distintos. Errar a escolha custa caro. Vamos detalhar.

As versões 2017

A linha 2017 tinha cinco configurações principais:

  • Toro Freedom 1.8 flex — motor E.torQ de 139 cv, câmbio automático Aisin de 6 marchas. Tração apenas dianteira.
  • Toro Freedom 2.0 diesel — motor Multijet de 170 cv, câmbio automático ou manual, tração 4x4.
  • Toro Volcano 2.0 diesel — versão topo, com central premium, couro e itens de segurança ativa.
  • Toro Endurance — versão mais simples, geralmente com motor flex e câmbio manual.

A diferença de preço entre flex e diesel chega a R$ 30 mil hoje, refletindo a robustez e o consumo melhor da diesel.

Consumo real

Editor GU consolidou os números a partir de medições próprias e relatos de mais de 200 proprietários:

VersãoCidadeEstradaMista
1.8 flex (gasolina)7,5–9 km/l11–13 km/l9–10 km/l
1.8 flex (etanol)5–6,5 km/l7,5–9 km/l6–7 km/l
2.0 diesel 4x210–12 km/l13,5–15,5 km/l12–13 km/l
2.0 diesel 4x49–11 km/l12,5–14,5 km/l11–12 km/l

Para quem roda mais de 25 mil km/ano, a economia da diesel compensa o sobrepreço em 3 a 4 anos.

Os problemas conhecidos

Versões flex (1.8)

  • Câmbio Aisin é robusto, mas exige troca do fluido a cada 60 mil km — serviço de R$ 700 a R$ 1.000 frequentemente ignorado.
  • Coxim do motor racha em altas quilometragens. Troca dos três coxins fica entre R$ 800 e R$ 1.200.
  • Suspensão dianteira original é firme demais, gera “batidas secas” em buracos. Muitos donos trocam por opção de pós-mercado.

Versões diesel (2.0)

  • Bomba de alta pressão sensível a combustível ruim. Troca custa R$ 4.000 a R$ 6.500.
  • Bicos injetores podem entupir após 100 mil km, gerando perda de potência. Limpeza: R$ 600 a R$ 900 o conjunto.
  • EGR e DPF entupindo em quem roda apenas em cidade — diesel quer estrada, não trânsito.
  • Turbo original tem vida útil de cerca de 200 mil km com manutenção em dia.

Comuns às duas motorizações

  • Módulos eletrônicos da carroceria (BCM) com falhas pontuais — geralmente trocados em garantia.
  • Trincos elétricos das portas com solenoide que falha após 80 mil km.
  • Painel multimídia original travando — atualização de software resolve.

Comparação de custo total

ItemToro 1.8 flexToro 2.0 diesel
Combustível mensal (1.500 km)R$ 980R$ 720
Manutenção preventiva anualR$ 2.500R$ 3.500
Manutenção corretiva (média)R$ 1.800R$ 2.500
IPVA estimadoR$ 1.800R$ 2.300
Seguro anualR$ 4.200R$ 5.000

Para uso urbano de 1.500 km/mês, a flex sai mais barata. Para quem roda 3.000 km/mês ou mais, a diesel se paga.

O que verificar antes de comprar

  1. Solicite o histórico completo da Fiat (Mopar Connect ou consulta na concessionária).
  2. Verifique se há recall pendente — Toro teve recall de airbag e de coluna de direção.
  3. Em diesel, observe a coloração da fumaça em partida fria (preta densa indica injeção problemática).
  4. Em flex, faça três acelerações fortes em segunda marcha para forçar o câmbio Aisin.
  5. Confira a caçamba (tampa metálica) por dentro e por fora — riscos profundos indicam uso pesado.
  6. Veja se a tomada 12V do estepe na caçamba funciona.

Conclusão

A Toro 2017 segue sendo uma das compras mais inteligentes da categoria, desde que você acerte a versão. Para uso urbano e família, a 1.8 flex Volcano automática entrega 80% do que a diesel oferece, por preço bem menor. Para uso intenso, viagens longas ou trabalho rural, a 2.0 diesel 4x4 não tem rival no segmento de usadas no orçamento.

Negocie sempre tendo em conta a quilometragem real e o histórico de manutenção. Toro com mais de 120 mil km e sem nota de revisão exige descontos consideráveis para compensar prováveis reparos pendentes.

Perguntas frequentes

Toro 1.8 flex ou 2.0 diesel, qual escolher?

Para uso urbano e rodagem inferior a 2.000 km/mês, a flex compensa. Para quem roda muito, viaja com peso ou puxa carreta, a diesel é insuperável em torque e consumo.

Toro 2017 dá problema?

Pontos sensíveis: módulos eletrônicos sensíveis à umidade, bomba alta pressão (em diesel), suspensão dianteira batendo em buracos e juntas homocinéticas com folga precoce.

Toro 2017 é boa para puxar reboque?

É homologada para 1.000 kg e o motor 2.0 diesel cumpre bem. Já a 1.8 flex sente em subidas com reboque pesado. Para uso intenso de reboque, prefira a diesel 4x4.

Quanto custa a revisão da Toro 2017?

Em concessionária Fiat, a revisão dos 20 mil km custa entre R$ 600 e R$ 950 dependendo da motorização. Em oficina especializada, sai por R$ 400 a R$ 650.

Vale a pena comprar Toro 2017 com 100 mil km?

Vale, desde que com manutenção comprovada. Acima dessa quilometragem, esteja preparado para investir em suspensão, embreagem (manual) ou trocas eletrônicas pontuais.

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fiat toro picape avaliação diesel flex