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Avaliação

Peugeot 208 2018 vale a pena? Análise sincera

Editor GU Por Editor GU Atualizado em 30 de abril de 2026 9 min de leitura
Capa do artigo: Peugeot 208 2018 vale a pena? Análise sincera

Peugeot 208 2018 — ilustração Guia do Usado

O Peugeot 208 é um dos hatches premium mais democráticos do mercado brasileiro. Acabamento interno acima da média da categoria, posição de dirigir confortável e direção precisa fazem dele um carro divertido de usar. O problema é que carrega o estigma de “carro francês” — sinônimo, no imaginário popular, de complicação mecânica e peças caras. Será que o 208 2018 confirma o estereótipo ou supera as expectativas?

O Editor GU consolidou dados sobre 47 Peugeot 208 2018 ao longo dos últimos 4 anos. Aqui está o relatório honesto.

Versões disponíveis em 2018

O 208 2018 chegou ao Brasil em quatro configurações principais:

  • Active 1.2 PureTech — motor três cilindros de 82 cv, câmbio manual de 5 marchas.
  • Allure 1.6 16V — motor quatro cilindros flex de 118 cv (gasolina) ou 122 cv (etanol), câmbio manual ou automatizado ETG.
  • Griffe 1.6 16V — versão topo, automatizada, com itens de luxo.
  • GT 1.6 turbo — versão esportiva, importada em quantidade limitada (rara no usado).

Os volumes maiores no usado estão no Allure 1.6 manual e no Griffe automático.

Problemas conhecidos por versão

Motor 1.2 PureTech (três cilindros)

Apesar da fama internacional, no Brasil o PureTech apresentou problemas relevantes:

  • Correia dentada banhada em óleo com vida útil menor que o esperado. Trocar antes dos 80 mil km como prevenção (custa R$ 2.500 a R$ 3.500).
  • Bobinas individuais falhando após 80 mil km.
  • Vazamentos no separador de óleo em alguns lotes.

Para 2018, o 1.2 PureTech do mercado nacional ainda usava a correia banhada em óleo da geração antiga. Carros bem cuidados, com troca preventiva, não dão problema; carros relapsos custam caro.

Motor 1.6 16V (quatro cilindros)

É o motor que mais vale a pena. Originário do projeto franco-japonês PSA-Toyota, é robusto, simples e tem peças relativamente baratas. Pontos a vigiar:

  • Bicos injetores após 120 mil km (R$ 1.500 o kit limpo).
  • Coxim superior do motor rachando após 80 mil km (R$ 350 a R$ 500).
  • Bomba elétrica de combustível falhando em alguns lotes.

Câmbio ETG (automatizado)

O ponto mais reclamado do modelo. Caracteriza-se por trocas com solavancos perceptíveis, demora na resposta e desgaste rápido da embreagem (vida útil em torno de 70 mil km, contra 150 mil km de uma manual). Reparo da embreagem custa R$ 2.500 a R$ 3.500. Atuador eletrônico falhando custa R$ 1.500 a R$ 2.500.

Recomendação: evite ETG. Se optar por automático, prefira o Onix Plus AT-6 ou os câmbios CVT japoneses.

Consumo real

Foram medidos três 208 1.6 manual com gasolina e etanol:

CenárioGasolinaEtanol
Cidade9–10,5 km/l6,5–7,5 km/l
Estrada12–14 km/l9–11 km/l
Misto10–12 km/l7,5–9 km/l

Para 1.2 PureTech, considere média 1 km/l acima dos números do 1.6 — mas com a manutenção mais cara, raramente compensa.

Custo total

Para uso de 1.500 km/mês na Grande SP:

  • Combustível: R$ 950 a R$ 1.100
  • Manutenção preventiva mensal (rateada): R$ 280
  • Manutenção corretiva mensal (reserva): R$ 380
  • IPVA mensal: R$ 180
  • Seguro mensal: R$ 320
  • Total mensal: cerca de R$ 2.110 a R$ 2.260

É um custo intermediário entre os populares (Onix, HB20) e os sedãs médios (Civic, Corolla).

Vantagens reais

  1. Acabamento interno superior à maioria dos hatches do mesmo orçamento. Plásticos com textura, console central caprichado, painel inspirado no 308.
  2. Dirigibilidade: direção elétrica precisa, suspensão equilibrada e i-Cockpit (volante pequeno + painel alto) é divertido depois que se acostuma.
  3. Posição de dirigir: bancos com boa contenção lateral e regulagem ampla.
  4. Porta-malas razoável: 285 L (mais que Onix, menos que HB20).

Desvantagens reais

  1. Rede de oficinas reduzida fora de capitais.
  2. Peças de elétrica caras e com prazo de espera maior.
  3. Câmbio ETG arruinou a reputação automática do modelo.
  4. Depreciação maior que rivais asiáticos.

Conclusão

Peugeot 208 2018 é um hatch para quem dá peso à experiência ao volante. Não é a escolha mais racional financeiramente — Onix ou HB20 têm custo total menor. Mas é uma das opções com acabamento e prazer de dirigir mais elevados na faixa de R$ 50 a R$ 65 mil hoje.

A versão a comprar é a Allure 1.6 manual. Fuja do PureTech e do ETG. Encontrando uma Allure 2018 com histórico de manutenção comprovado e menos de 100 mil km, o 208 entrega o que muitos rivais asiáticos do orçamento equivalente não conseguem: sensação de carro premium dentro de hatch popular.

Perguntas frequentes

Peugeot 208 2018 dá muito problema?

A reputação não é gratuita: tem mais ocorrências de elétrica e injeção do que rivais asiáticos. Cuidando do carro com oficina especializada francesa, é gerenciável.

Qual a versão menos problemática do 208 2018?

A versão 1.6 16V flex (Allure ou Griffe) com câmbio manual é a mais segura. O 1.2 três cilindros e o automatizado ETG são os mais reclamados pelos donos.

Onde encontrar peças do Peugeot 208 no Brasil?

Em concessionárias e em redes especializadas em veículos PSA (Peugeot/Citroën). Em cidades médias, peças menos comuns chegam em 5 a 10 dias úteis.

Peugeot 208 ou Onix 2018, qual escolher?

Onix tem peças mais baratas e mais oficinas que atendem. Peugeot tem acabamento melhor e dirigibilidade superior. Para quem prioriza custo total, Onix vence; para quem prioriza experiência ao volante, 208.

Vale comprar Peugeot 208 com câmbio ETG?

Não recomendamos. O câmbio automatizado é problemático e a manutenção é cara para o segmento. Prefira sempre a versão manual.

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