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Consumo da ASX 2018 automática: números reais

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A Mitsubishi ASX 2018 é um SUV que conquistou seu espaço no mercado brasileiro pela combinação de design discreto, boa dirigibilidade e um pacote de equipamentos competitivo. Equipada com motor 2.0 de 170 cv (gasolina) e câmbio CVT, ela se posiciona como uma alternativa mais refinada em relação a concorrentes como Honda HR-V e Hyundai ix35. Porém, quem busca um carro usado quer saber a verdade sobre o consumo — e os números do Inmetro nem sempre refletem o dia a dia. Neste artigo, reunimos dados reais de proprietários e testes independentes para mostrar o que esperar do bolso ao rodar com a ASX 2018 automática.

Consumo de combustível

Vamos direto ao ponto. O Inmetro aponta consumo de 8,1 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada com gasolina para a ASX 2.0 CVT. Na prática, esses números são otimistas. A realidade de quem roda no trânsito pesado de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte é bem diferente.

Consumo real com gasolina:

  • Cidade (trânsito pesado): 7,0 a 7,8 km/l
  • Cidade (trânsito moderado): 8,0 a 8,5 km/l
  • Estrada (100-110 km/h): 10,0 a 11,2 km/l
  • Estrada (120 km/h ou mais): 9,0 a 9,8 km/l

Consumo real com etanol:

  • Cidade (trânsito pesado): 4,8 a 5,5 km/l
  • Cidade (trânsito moderado): 5,5 a 6,2 km/l
  • Estrada (100-110 km/h): 7,0 a 7,8 km/l
  • Estrada (120 km/h ou mais): 6,3 a 7,0 km/l

A queda de rendimento com etanol fica na faixa de 28% a 32%, o que é esperado para motores flex. Na maioria das regiões do Brasil, abastecer com gasolina acaba sendo mais vantajoso economicamente, a não ser que o etanol esteja abaixo de 70% do preço da gasolina na bomba.

O câmbio CVT da ASX tem uma característica que divide opiniões: ele mantém o motor em rotações relativamente altas durante acelerações, o que transmite uma sensação de esforço mesmo em situações que não exigem tanto. Isso acontece porque o CVT busca a faixa de torque ideal, mas acaba penalizando o consumo em arrancadas frequentes no trânsito urbano. Em velocidade constante na estrada, porém, o câmbio trabalha de forma eficiente e o consumo melhora consideravelmente.

Um ponto importante: o uso do ar-condicionado, especialmente em dias quentes, pode derrubar o consumo urbano em até 1 km/l. A ASX pesa cerca de 1.410 kg, e o compressor do ar exige bastante do motor 2.0 em baixas velocidades.

Comparando com concorrentes diretos da época, a ASX fica atrás do Honda HR-V 1.8 CVT (que entrega cerca de 8,5 km/l na cidade com gasolina) e praticamente empata com o Hyundai ix35 2.0 automático. Em relação ao Jeep Renegade 1.8 automático, a ASX leva leve vantagem na estrada, mas perde na cidade.

Manutenção e custos

A manutenção da ASX 2018 não é das mais baratas, mas também não chega a ser proibitiva. As revisões na concessionária seguem um plano de intervalos de 10.000 km, com custos que variam bastante dependendo da quilometragem.

As primeiras revisões (10.000 e 20.000 km) costumam ficar entre R$ 400 e R$ 600. A revisão dos 40.000 km, que inclui troca de fluido do câmbio CVT, pastilhas de freio e filtros diversos, pode chegar a R$ 1.200 ou mais. A troca do fluido do CVT é fundamental e não deve ser negligenciada — o intervalo recomendado é de 40.000 km, e o fluido original custa cerca de R$ 250 por litro (são necessários aproximadamente 7 litros).

O pneu original da ASX é o 215/60 R17, e um jogo de pneus de boa qualidade custa entre R$ 1.800 e R$ 2.600, dependendo da marca. A durabilidade média fica em torno de 40.000 a 50.000 km com rodízio regular.

Para quem prefere oficinas multimarcas, os custos caem significativamente. Peças de reposição paralelas estão disponíveis com facilidade, especialmente itens de desgaste como pastilhas, discos de freio e filtros. A exceção são componentes específicos do câmbio CVT e do sistema de tração, que convém adquirir originais.

O seguro da ASX 2018 varia conforme o perfil do motorista e a região, mas a média fica entre R$ 2.800 e R$ 4.500 anuais. Nas capitais do Sudeste, tende a ser mais caro por conta dos índices de roubo e furto.

O IPVA, calculado sobre a tabela Fipe, também pesa no orçamento. Com a ASX 2018 valendo em torno de R$ 80.000 a R$ 90.000 na Fipe (valores de referência para 2025), o IPVA em São Paulo fica na casa dos R$ 3.200 a R$ 3.600 anuais.

Problemas conhecidos

A ASX 2018, em geral, é um carro confiável. Porém, existem alguns pontos de atenção que qualquer comprador de usado deve conhecer.

O câmbio CVT é o principal item a ser observado. Embora a Mitsubishi utilize o CVT da Jatco, que é relativamente durável, há relatos de solavancos em baixas velocidades e hesitações ao acelerar partindo de parado. Esses problemas muitas vezes estão ligados à falta de troca do fluido de transmissão ou à degradação das correias internas em unidades com alta quilometragem. Câmbios com mais de 100.000 km sem troca de fluido adequada podem apresentar falhas sérias.

Outro ponto recorrente em fóruns de proprietários é o consumo de óleo do motor 2.0 4B11. Alguns exemplares apresentam consumo elevado entre as trocas, especialmente após os 80.000 km. Monitorar o nível de óleo a cada abastecimento é uma boa prática.

O sistema elétrico merece atenção: sensores de estacionamento com mau funcionamento, câmera de ré com falhas intermitentes e a central multimídia que pode travar são queixas comuns. Nada que comprometa a mecânica, mas que incomoda no uso diário.

Barulhos de suspensão, especialmente nos batentes e buchas da dianteira, são normais após 60.000 km e têm reparo acessível. As bandejas de suspensão dianteira costumam durar entre 50.000 e 70.000 km, dependendo das condições das vias.

Custo-benefício

A ASX 2018 automática oferece um bom custo-benefício no mercado de usados, desde que comprada com histórico de manutenção bem documentado. Ela é um carro que envelheceu bem em termos de design e equipamentos: teto solar panorâmico, ar-condicionado digital de duas zonas, banco do motorista com ajuste elétrico e sensores de estacionamento são itens presentes na versão topo de linha.

Em termos de espaço, o porta-malas de 413 litros é adequado para uma família pequena, e o espaço traseiro é razoável para passageiros de até 1,75 m. Acima disso, o espaço para pernas começa a ficar justo.

Onde a ASX perde pontos é no consumo urbano — e isso pesa bastante para quem roda majoritariamente na cidade. Com gasolina, os 7 km/l no trânsito pesado significam um gasto mensal considerável. Para quem faz 1.500 km por mês em uso urbano, o custo com combustível (gasolina a R$ 6,00) fica em torno de R$ 1.285. Um HR-V 2018 nas mesmas condições gastaria cerca de R$ 1.060. Essa diferença de R$ 225 por mês, ao longo de um ano, representa quase R$ 2.700.

Por outro lado, a ASX tende a ser encontrada por preços 10% a 15% abaixo do HR-V de mesmo ano e quilometragem, o que compensa parcialmente o maior custo de combustível. A depreciação da ASX também é relativamente controlada, pois a Mitsubishi mantém uma base de fãs fiéis.

Para quem faz bastante estrada, a equação muda a favor da ASX. O consumo rodoviário é competitivo, o conforto em viagens longas é superior ao de muitos concorrentes, e a estabilidade em velocidade de cruzeiro é um ponto forte do modelo.

Conclusão — vale a pena?

A Mitsubishi ASX 2018 automática é uma compra que faz sentido para quem busca um SUV usado com bom nível de equipamentos, conforto para viagens e uma mecânica conhecida no mercado. O consumo urbano não é seu ponto forte, e quem roda exclusivamente na cidade pode se frustrar com os números na bomba, especialmente com etanol.

Antes de fechar negócio, priorize exemplares com histórico completo de revisões, verifique se o fluido do câmbio CVT foi trocado nos intervalos corretos e teste o carro em diferentes condições: arrancadas, subidas, ar-condicionado ligado e desligado. Peça para um mecânico de confiança verificar o consumo de óleo e o estado da suspensão.

Se o preço de compra estiver alinhado com a Fipe, se a manutenção estiver em dia e se o perfil de uso incluir um bom percentual de rodovia, a ASX 2018 é uma escolha sólida e racional no segmento de SUVs usados. Apenas não espere que o consumo real chegue perto dos números otimistas do Inmetro — a realidade do trânsito brasileiro cobra seu preço.

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